Se vivo fosse, Dias Gomes completaria hoje (19 de outubro) 89 anos. O conheci através de suas novelas de televisão. Mas estudando sua vida, vim a saber que Dias foi muito mais do que isso. Publicou romances, escreveu inúmeras peças - como O Pagador de Promessas e O Santo Inquérito -, escreveu para jornais e revistas, trabalhou em várias rádios, tendo escrito e idealizado vários programas.
Foi militante do Partido Comunista e, por conta disto, perseguido pelos regimes ditatoriais, desde Getúlio Vargas até o Regime Militar. Foi por conta de suas posições políticas - e por intermédio de sua então esposa, Janete Clair - que Dias chegou à televisão. Impossibilitado de trabalhar, passou a usar o novo veículo para expor suas ideias, ainda que vigiadas.
Acompanhei os demais trabalhos assinados por Dias na televisão. Alguns muito bons, como produto final - como as minisséries As Noivas de Copacabana (1992) e Dona Flor e Seus Dois Maridos (1998, a partir do romance de Jorge Amado). Outros nem tanto, como a novela Mandala (1987/1988).
O objetivo do post não é informar sobre a vida do novelista, cuja obra está fartamente catalogada na internet. Mas rememorar, a partir de minhas lembranças, a genialidade de uma das grandes personalidades brasileiras do século passado. Foi a obra de Dias Gomes que o tornou imortal - para além de ter sido imortal da Academia Brasileira de Letras.
Apenas uma lástima: não ter podido acompanhar aquela que considero a melhor telenovela brasileira: O Bem Amado (1973), que só a genialidade de Dias Gomes poderia ter concebido. Engraçada é a sensação de sentir saudades de uma novela que nunca acompanhei - porque era muito criança na época em que passou.
Saiba mais sobre a trajetória e a obra de Dias Gomes no site Teledramaturgia.
