sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Audiência mordeu, Carrasco assoprou


Morde e Assopra foi uma novela que teve de tudo. Começou de um jeito e a audiência torceu o nariz. O autor, Walcyr Carrasco, atenuou algumas coisas, destacou outras, trocou elenco, e ajustou a novela ao gosto do telespectador. Até que a audiência reagiu positivamente. 

Teve novidade: os dinossauros e robôs, cuja participação foi sendo diminuída na trama por conta da rejeição do público. Teve humor infantil com todos os cacoetes típicos do autor: inúmeros casamentos desfeitos no altar, caipiras pra lá de caricatos, bicho de estimação (e robozinho de estimação), torta na cara, gente sendo arremessada. Teve amor a la A Megera Domada (Júlia e Abner). Teve vilã histérica (Naomi). Teve "quem matou" (o delegado Pimental).

E teve Cássia Kis Magro (a Cássia Kiss) em uma das melhores interpretações de sua carreira. Foi a partir do momento em que Carrasco elevou a simplória Dulce à categoria de protagonista, que Morde e Assopra deslanchou no ibope e cativou seu público. E para isto, o autor apelou para o melodrama fácil, rasgado, recheado de clichês, transformando Dulce numa caricatura. Apesar do tom extremamente maniqueísta da personagem e do texto piegas do autor, Cássia levou sua Dulce com dignidade até o fim, numa interpretação marcante. 

Em contrapartida, outra caricatura se destacou, mas positivamente: a do gay estereotipado. André Gonçalves "ar-ra-sou" com seu Áureo, proporcionando alguns dos melhores momentos da novela, afinadíssimo com sua companheira de cena Vanessa Giácomo, outro grande destaque de Morde e Assopra. O penúltimo capítulo - em que os dois sobem ao altar, ele abandona ela e foge com o peão - foi um dos melhores da novela.


A caricatura funciona na comédia, quando bem escrita, bem dirigida e bem interpretada - como vimos com Áureo. Mas a caricatura no drama em televisão, quando trabalhado isoladamente - como no caso de Dulce -, é perigoso. Caricatura é exagero, e o exagero no realismo sempre acaba pendendo para o piegas. A não ser que a proposta seja essa mesma, mas como um todo: como o visto atualmente em O Astro, uma novela absolutamente diferente de Morde e Assopra.

A verdade é que Carrasco tirou a sorte grande ao conseguir Cássia Kis Magro para sua novela. Poucas atrizes conseguiriam tal desempenho diante deste texto de Carrasco. Sorte também de ter no elenco nomes como André Gonçalves, Vanessa Giácomo, Jandira Martini e Vera Mancini (revelada como a ótima Cleonice).

O último capítulo de Morde e Assopra merece um aparte. Vimos o desfecho de Celeste (Vanessa Giácomo), que desiste de casar e vai embora da cidade para posar nua para uma revista e ser famosa, deixando o filho bebê nas mãos de Dona Salomé (Jandira Martini). O destino de Áureo e Elaine (Otaviano Costa), que terminam em São Paulo num show de drag-queens - ao lado do próprio Walcyr Carrasco! Minerva (Elizabeth Savalla) derrotando Isaías (Ary Fontoura) nas eleições para a prefeitura de Preciosa. A morte de Dulce, envolta a muita choradeira, claro. 

E para finalizar, uma das sequências mais dantescas da história de nossa teledramaturgia. Júlia (Adriana Esteves), Abner (Marcos Pasquim) e outros personagens caem no que, na visão do autor, seria o centro da Terra, um mundo perdido povoado por dinossauros, onde vivem os pais de Júlia, também pesquisadores - inclusive com computador (!). Uma espécie de elo perdido mesmo. E dos mais fakes. As cenas com os dinossauros serviram para nos lembrar que a Record fez melhor com Os Mutantes. Tiago Santiago deve ter ficado orgulhoso.

domingo, 9 de outubro de 2011

Especial Semana da Criança: novelas que marcaram a infância da gente


Programação infanto-juvenil, em forma de novelas ou seriados, existe desde o início da televisão. Naqueles primeiros anos, destacavam-se as adaptações de clássicos da literatura infantil. Só o Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato, teve três versões para a TV entre as décadas de 50 e 60 (pela Tupi, Cultura e Bandeirantes). A primeira novela infantil a ter uma grande repercussão foi A Pequena Órfã, apresentada pela TV Excelsior entre 1968 e 1969, estrelada por Dionísio Azevedo e a menina Patrícia Aires (filha do ator Percy Aires).

A história da garotinha desprezada pela tia no orfanato, mas que encontra amor e carinho num velho bondoso, já serviu de inspiração para outras duas novelas posteriores: Sonho Meu (Globo, 1993), com Elias Gleizer e Carolina Pavanelli, e Prova de Amor (Record, 2005), com Rogério Fróes e Júlia Magessi. O sucesso d´A Pequena Órfã foi tanto que, na época, as outras emissoras passaram a apostar no filão "criança carente e/ou desprezada": Sozinho no Mundo (Tupi, 1968), Ricardinho, Sou Criança, Quero Viver (Bandeirantes, 1968), O Doce Mundo de Guida (Tupi, 1969), Tilim (Record, 1970), Pingo de Gente (Record, 1971).

Em 1969 chegava aos cinemas a versão do best-seller O Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcellos. No ano seguinte, Ivani Ribeiro adaptou a mesma história para a Tupi, no formato telenovela, com Cláudio Corrêa e Castro e o menino Haroldo Botta no elenco. Haroldo Botta tornou-se um ator-mirim de sucesso nas novelas da Tupi da época, sempre requisitado. O Meu Pé de Laranja Lima teve um remake pela Bandeirantes em 1980 (com Dionísio Azevedo e o garoto Alexandre Raymundo) e uma nova adaptação, feita por Ana Maria Moretzsohn em 1999, também pela Band (com Gianfrancesco Guarnieri e Caio Romei).


Ivani Ribeiro escreveu outras novelas com apelo infantil. Camomila e Bem-Me-Quer (Tupi, 1972) contava a história do menino carente e adorável que conquista o coração de um velho rabugento e avarento (Haroldo Botta e Gianfrancesco Guarnieri na novela). Ivani recontou a mesma história na Globo, em 1984: Amor com Amor se Paga, com Oberdan Jr. e Ary Fontoura. A Barba Azul (Tupi, 1974) apresentava um grupo de crianças às voltas com o Clube dos Curumins. Esta novela gerou um remake na Globo, em 1985, A Gata Comeu, hoje cultuada pelos telespectadores que eram crianças na época.

A Barba Azul revelou outro ator-mirim que se destacou na Tupi nos anos 70: o ruivinho sardento Douglas Mazzola, que já havia atuado em O Meu Pé de Laranja Lima, e foi visto ainda, entre outras, em O Velho o Menino e o Burro e Éramos Seis. Em 1975, O Velho, o Menino e o Burro abriu uma nova faixa de novelas na Tupi, às 18 horas, dedicada à criançada. Seguiu com Papai Coração, uma adaptação de texto mexicano, estrelada pela então menina Narjara Turetta. Papai Coração contava a história de uma garotinha que conversava com o espírito da mãe falecida. Essa trama voltaria à TV brasileira em versões latinas apresentadas pelo SBT: Chispita e Luz Clarita.

Em 1977, Walter Negrão e Chico de Assis assinaram uma versão moderna para um clássico infantil: Cinderela 77 trazia os cantores Ronnie Von e Vanusa como o casal romântico desta novela que subvertia o folhetim e tinha total liberdade de criação. Vale destacar também outra adaptação de clássico infantil apresentada nos anos 70: O Príncipe e o Mendigo (Record, 1972), escrita por Marcos Rey a partir do famoso livro de Mark Twain, com os então adolescentes Kadu Moliterno e Nádia Lippi nos papéis centrais.

A Globo também embarcou nessa de atrações que chamassem a atenção da garotada. A novela O Primeiro Amor, de 1972, já lançava moda entre as crianças na abertura, com várias bicicletas Caloi se cruzando, num dos primeiros casos de merchandising em novelas. Os personagens Shazan e Xerife (Paulo José e Flávio Migliaccio) fizeram tanto sucesso que ganharam um seriado próprio: Shazan, Xerife e Cia. Outras novelas da época também tinham nas crianças o público alvo: Meu Pedacinho de Chão, A Patota e Bicho do Mato,  precursoras do horário das 18 horas para novelas na Globo. 

Nos anos 70, a Globo já vinha de uma parceria com a TV Educativa na produção do infantil Vila Sésamo. Em 1975, as duas emissoras lançaram uma versão de Pluft, o Fantasminha, de Maria Clara Machado, e, no ano seguinte, iniciaram a produção do Sítio do Picapau Amarelo, que se tornou a mais famosa das adaptações da obra de Monteiro Lobato - durou de 1977 a 1986 e marcou a infância de muita gente. A primeira Narizinho era a então menina Rosana Garcia, que já atuavam em novelas na Globo desde o início da década de 70. 

Nos anos 80, enquanto o Sítio era sucesso e a Globo produzia musicais para a criançada (Pirlimpimpim, Plunct-Plact-Zum e outros), algumas novelas se destacaram, como as já citadas Amor com Amor se Paga e A Gata Comeu. A Bandeirantes lançou em 1983 a novela infantil Braço de Ferro, que tinha em seu elenco infantil o então garotinho Selton Mello. Em 1989, a Globo levou ao ar Top Model, escrita por Antônio Calmon e Wálter Negrão, que virou febre entre a garotada, por conta de seu elenco pré-adolescente. Calmon voltaria a usar um elenco infantil e pré-adolescente, para conquistar crianças, em Vamp, em 1991, um sucesso na época. Uma nova história vampiresca do autor voltaria em 2002: O Beijo do Vampiro, de onde se destacou o então garoto Kayky Brito.

O SBT apresentou várias novelas infantis importadas, mas nenhuma causou tanto furor quanto a mexicana Carrossel, em 1991. A Professora Helena (Gabriela Rivero) e seus alunos marcaram a TV brasileira e as crianças da época. Entre 1997 e 2001, o SBT levou ao ar a novela infantil Chiquititas, criada por Cris Morena, em uma co-produção com a emissora argentina Telefé. Uma febre entre as crianças em seus primeiros anos, a novelinha foi gravada na Argentina e terminou em sua quarta fase no Brasil. Em seu elenco infantil, estavam Fernanda Souza, Débora Falabella, Carla Diaz, Bruno Gagliasso, Jonatas Faro, Stephany Brito, entre outras crianças. Em 2005 e 2006, a Band levou ao ar outra adaptação da argentina Cris Morena com apelo infantil: Floribella.


O novelista Wálter Negrão geralmente apresenta tramas com crianças em suas novelas. Em 1998, o clássico A Noviça Rebelde foi uma das inspirações para Era Uma Vez: um viúvo se apaixonava pela governanta que cuidava de sua prole. No elenco infantil, Luiza Curvo, Alexandre Lemos, Alessandra Aguiar e Pedro Agum. Entre 2001 e 2007, a Globo reeditou o Sítio do Picapau Amarelo, com destaque para a primeira Emília interpretada por uma criança: Isabelle Drumond.

Alguns atores que cresceram na TV diante de nossos olhos: as irmãs Rosana e Isabela Garcia, Glória Pires, Fábio Mássimo, Haroldo Botta, Douglas Mazzola, Narjara Turetta, Monique Cury, Isabela Bicalho, Oberdan Júnior, Matheus Carrieri, os irmãos Danton e Selton Mello, Jonas Torres, Caio Junqueira, Jonathan Nogueira, João Rebello, Natália Lage, Déborah Secco, Fernanda Rodrigues, Tatianne Fontinhas Goulart, Eduardo Caldas, Patrick de Oliveira, Caio Blat, Wagner Santisteban, Cecília Dassi, Fernanda Souza, os irmãos Stephany e Kayky Brito, Isabelle Drumond, Bruna Marquezine, Carolina Oliveira, Marina Ruy Barbosa, e outros. 

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A novela das fêmeas alfa e chorosas


A Globo tem em boa conta as donas de casa telespectadoras das 18 horas, público alvo da faixa. A Vida da Gente é uma novela feita especialmente para elas: é, acima de tudo, uma obra feminina. "Novela de mulherzinha" como tuitei outro dia, brincando.

Os dramas da novela são femininos, pertinentes a esse universo. As mulheres dominam toda a trama e não por acaso, a protagonista Ana (Fernanda Vasconcellos) sofre e chora muito no intuito de sensibilizar os telespectadores, fisgar pela emoção. A identificação do público com os dramas dos personagens tem que ser direta - reza a cartilha de toda novela.

Jayme Monjardim, o diretor, navega à vontade neste universo melodramático. As minisséries Maysa, Chiquinha Gonzaga, A Casa das Sete Mulheres, as novelas A Idade da Loba, Páginas da Vida e Viver a Vida são alguns trabalhos do diretor onde a figura feminina impera.

Autores como Manoel Carlos e Gilberto Braga sempre assumiram sua predileção por protagonistas mulheres em detrimento à figura masculina. Suas tramas são comumente tachadas de "novelas femininas". Diferente de novelistas como Lauro César Muniz, Marcílio Moraes ou Benedito Ruy Barbosa, onde há um apelo masculino dominante. 

Em A Vida da Gente, Lícia Manzo escreve para mulheres dramas típicos do universo feminino. Os personagens masculinos ficam em segundo plano e são pobres, fracos ou inferiores se comparados às mulheres da novela. Ou, na melhor das hipóteses, não passam de homens vistos através do olhar feminino. Os da autora, claro! 

Os homens que apareceram até agora só serviram de escada para o drama central, a história de Ana, a heroína, e sua relação com a mãe megera Eva (Ana Beatriz Nogueira) e a irmã Manuela (Marjorie Estiano), outra mocinha chorosa. Como Rodrigo (Rafael Cardoso) - rapaz inseguro, um fraco se comparado à força das três mulheres - mas que é nada menos que o "mocinho" da trama. 

Outros personagens masculinos também ficam devendo. Jonas (Paulo Betti) é um cinquentão que trocou Eva por uma mulher bem mais jovem e bonita e é ridicularizado pela filha debochada (Maria Eduarda). Ou seja, é um homem patético. O personagem de Stênio Garcia - Seu Laudelino - é uma representação masculina curiosa dentro da novela: um homem de certa idade que insiste em casar com a namorada, uma senhora que só quer, só pensa em namorar. E ainda tem um defeito grave: é sovina!

Há ainda o personagem de Ângelo Antônio que só faz reforçar essa ideia: Marcos é o marido dominado pela mulher durona e provedora da casa. Enquanto ela trabalha, ele cuida das filhas e dos afazeres domésticos, e ainda é vítima dos olhares, comentários e assédio de outras mulheres. Laudelino e Marcos representam uma inversão de papeis dentro de um mundo masculino e opressor aos olhos das mulheres. Em A Vida da Gente, as mulheres dominam e mandam em seus homens. Seriam elas "fêmeas alfa"?!

Tudo isto, recheado a um melodrama pesado. Mas que cativa, seja pela força da história, pela beleza das imagens bem acabadas, ou pela boa interpretação do elenco. A embalagem é bonita, moderna e agradável de se ver. Mas o conteúdo remete às radionovelas dos anos 50: melodramas despudorados feitos para o consumo feminino. Mas num contexto bem contemporâneo.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Novela para cada público

Viva a diversidade da dramaturgia seriada na televisão brasileira!
Li de um amigo hoje que sua mãe disse que "Cordel Encantado era 'besta' demais. Boa mesmo é a novela das sete (Morde e Assopra)!" E durante o capítulo de ontem de Morde e Assopra, vi a cena em que Elaine (Otaviano Costa), o travestido, era desmascarado. No quesito humor, eu ri! E acho mesmo que essa novela diverte muitos brasileiros. Considerando seus números de audiência, Morde e Assopra é um verdadeiro sucesso!

No mesmo patamar de receptividade do público, está Fina Estampa, a trama das nove. A audiência de Cordel Encantado também era boa, assim como a de O Astro. Ou seja, a Globo está num momento muito bom em suas novelas. Mas o mais legal disso tudo é perceber que são novelas muito distintas. Morde e Assopra e Fina Estampa se assemelham pela tal "pegada popular", o que pode caracterizar, entre outros quesitos, tramas mais digeríveis para o "grande público". Cordel tinha aquela beleza estética toda e uma linguagem até inovadora em termos de trama. O Astro é um dramalhão assumido, o que a faz uma novela diferente de todas as que estão no ar.

Saindo da Globo, também temos opções díspares. Rebelde tem a linguagem certa para o seu público alvo, os adolescentes. Vidas em Jogo e Amor e Revolução, completamente diferentes entre si, mas representantes off-Globo do tradicional folhetim. E tem as reprises de clássicos, seja Mulheres de Areia no Vale a Pena Ver de Novo, ou Vamp, O Rei do Gado e Roque Santeiro no canal Viva. Há ainda uma Malhação mística à tarde, cujo alvo são adolescentes e donas de casa. E tem a nova que estreou, A Vida da Gente, um bom exemplo do clássico folhetim. O SBT já anuncia a reprise da clássica xicana Marimar, com Thalia. E a Record vai reprisar em um novo horário (18 horas) o capítulo do dia anterior de Rebelde.
Ou seja: tem novela para todos os gostos e todos os públicos, é só cada um se adequar ao que melhor lhe convém. Não acredito que exista novela ruim. Já me perguntaram algumas vezes quais foram as piores novelas já produzidas. Nunca respondi, pois acho uma tremenda sacanagem com toda a equipe que trabalha em uma novela que ela seja assim tachada. Por pior que seja o texto, a direção, o elenco, por mais pobre que seja a produção, sempre haverá público. E gosto, cada um tem o seu. 

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Tweets da Gente

Biscat que confunde ator com personagem "Essa Fernanda Vasconcelos não aprendeu com os próprios erros! Já tá na segunda gravidez indesejada" ()


Podia aparecer o Timotinho, o terrivel no meio da novela nova pra gritar "Eu voltareeeeeeiii" ()


Vi pouquinho da novela, mas curti! Espero q a Nanda não vire fantasma e a filha fique chamando de Moça muniiiita ()


Aliás, sem querer comparar, mas já comparando, muito melhor que o capítulo de estreia de "Fina Estampa". ()


Eva e Jonas em "A Briga da Gente" ()


Os peitos da Monica Carvalho não podem aparecer na abertura [de Mulheres de Areia, a tarde], mas da Fernanda Vasconcellos pode! ()


Esse menino tem que resolver esse problema de ter tesão nos irmãos. No filme é a mesma coisa, eu te amo, fica pelado... ()


Manoel Carlos tá usando o pseudônimo de Lícia Manzo né? ()


É agora que eles vão gerar a "moça munita"? ()


Mary Gadoo tava com o nariz "entuBito" quando gravou a música de abertura? ()


Maria Gadú podia dar um Tempo, Tempo, Tempo, Tempo das trilhas sonoras de novelas da Globo, né?  ()


Abertura de  parece comercial do ITAÚ, é isso produção?  ()


Olha o Monjardã reciclando trilha! Acho chique, acho consciente, acho sustentável! ()


Essa trilha da novela se chama VALE A PENA OUVIR DE NOVO? ()


Até a Nicette Bruno namorando, e a gente aqui no twitter. ()


Por mim essa novela se chamava ! Comigo no papel principal ()


Ana pega o quase-irmão Rodrigo nessa novela! Lindo desse jeito, até o Vaticano entende, né? ()

Páginas da Vida da Gente


Pelas chamadas de A Vida da Gente, a comparação com Páginas da Vida, de Manoel Carlos (2006), era inevitável. Além da palavra "vida" no título da novela, ambas tem a direção de Jayme Monjardim, o que significa músicas orquestradas e introspectivas e fotografia brilhante e colorida com direito a céus lilases e laranjas. As duas novelas trazem Fernanda Vasconcelos como protagonista, novamente vivendo o drama de um romance que e mãe megera proíbe e que acaba em gravidez. Em Páginas da Vida, Fernanda Vasconcelos morre. Em A Vida da Gente, Fernanda Vasconcelos ficará em coma.  

A sensação de déjà vu continuou na apresentação do primeiro capítulo. A abertura lembra um pouquinho outra trama de Maneco, Por Amor (1997) - mas a proposta é outra. As belas paisagens com fotografia colorida e brilhante se confirmam. Bela também é a trilha sonora incidental, apesar das músicas requentadas da trilha cantada. Os dramas familiares carregados de emoção das novelas de Manoel Carlos também fazem parte do enredo de A Vida Gente. E closes nos grandes e expressivos olhos de Fernanda Vasconcelos.

O primeiro capítulo foi correto, focando a trama central e os principais personagens. O bom texto de Lícia Manzo e a direção competente da equipe de Jayme Monjardim garantiram um capítulo de estreia bonito e interessante. O destaque no elenco foi Ana Beatriz Nogueira, com uma ótima cena quando sua personagem, Eva, flagra o marido sacana (Paulo Betti) aos beijos com a amante piriguete (Regiane Alves) - qualquer semelhança com sua personagem de Insensato Coração terá sido mera coincidência! 


E para fechar bem o capítulo, Eva flagra o beijo entre a filha e o enteado (Fernanda Vasconcelos e Rafael Cardoso). Bom gancho para amanhã - deu uma vontadezinha de ver o que vai acontecer! Boa produção em um bom texto, boa direção, bom elenco e um bom gancho. Se continuar assim, A Vida da Gente tem tudo para ser uma boa novela.