quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Saudades de Dias Gomes


Se vivo fosse, Dias Gomes completaria hoje (19 de outubro) 89 anos. O conheci através de suas novelas de televisão. Mas estudando sua vida, vim a saber que Dias foi muito mais do que isso. Publicou romances, escreveu inúmeras peças - como O Pagador de Promessas e O Santo Inquérito -, escreveu para jornais e revistas, trabalhou em várias rádios, tendo escrito e idealizado vários programas.

Foi militante do Partido Comunista e, por conta disto, perseguido pelos regimes ditatoriais, desde Getúlio Vargas até o Regime Militar. Foi por conta de suas posições políticas - e por intermédio de sua então esposa, Janete Clair - que Dias chegou à televisão. Impossibilitado de trabalhar, passou a usar o novo veículo para expor suas ideias, ainda que vigiadas.

O primeiro trabalho de Dias que acompanhei de perto foi Roque Santeiro - escrita com Aguinaldo Silva, Marcílio Moraes e Joaquim Assis - entre 1985 e 1986. Uma de minhas novelas preferidas, lembro bem da comoção popular causada naquela época. Engraçado ver que, apesar de censurada dez anos antes, a impressão que se tem é que Roque foi a novela certa no momento certo. Talvez por isso, não tenha tido a mesma repercussão em suas reprises, posteriormente.

Acompanhei os demais trabalhos assinados por Dias na televisão. Alguns muito bons, como produto final - como as minisséries As Noivas de Copacabana (1992) e Dona Flor e Seus Dois Maridos (1998, a partir do romance de Jorge Amado). Outros nem tanto, como a novela Mandala (1987/1988).

O objetivo do post não é informar sobre a vida do novelista, cuja obra está fartamente catalogada na internet. Mas rememorar, a partir de minhas lembranças, a genialidade de uma das grandes personalidades brasileiras do século passado. Foi a obra de Dias Gomes que o tornou imortal - para além de ter sido imortal da Academia Brasileira de Letras. 

Apenas uma lástima: não ter podido acompanhar aquela que considero a melhor telenovela brasileira: O Bem Amado (1973), que só a genialidade de Dias Gomes poderia ter concebido. Engraçada é a sensação de sentir saudades de uma novela que nunca acompanhei - porque era muito criança na época em que passou.


Saiba mais sobre a trajetória e a obra de Dias Gomes no site Teledramaturgia.

5 comentários:

  1. Relembrando a obra de Dias Gomes a impressão que tenho é a de que a grande missão dele, se é que isso existe, foi a de revolucionar. Além de todas as posições políticas corajosas que ele teve durante toda a sua vida, também no que Dias escrevia estava presente essa inquietação. Dias levou a teledramaturgia pra Bahia, fez do protagonista o grande vilão (Odorico, vilão cômico, mas vilão), explodiu alguns personagens, colocou formigas no nariz de outro, falou sobre inseminação artificial e ecologia, isso numa época em que tais coisas seriam praticamente inconcebíveis. A cara do Brasil que vemos nas novelas de hoje, com certeza é resultado, entre outras coisas, da genialidade de Dias Gomes. Falar sobre a obra teatral dele é chover no molhado. O Santo Inquérito é uma obra prima e Branca Dias uma das melhores personagens que já vi. Dias Gomes faz muita falta para a arte no Brasil.

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  2. e EU NUNCA PUDE VER NADA DELE, PELO MENOS não EQTO ESTAVA PaSSANDO NA t.v ... aGORA fico só com as reprises das novelas dele, e as coisas que pesquiso como um curioso em teledramaturga que sou

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  3. Dias Gomes foi um dos mais completos autores que nossa teledramaturgia teve o prazer de ter. Ele faz muita falta. Valeu, Nilson, por lembrar deste Gênio das Novelas.

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  4. veii sou loka pra trabalhar na globo,como é que eu faço?

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